O Altar Invertido: Subversão da Religião e Poder Simbólico em Civilizações de Laurent Binet
Palavras-chave:
Religião, civilização, história alternativa, poder simbólico, decolonialidadeResumo
Este artigo oferece uma leitura crítica do romance Civilizações (2019), de Laurent Binet. O foco recai na inversão dos sistemas religiosos como estratégia para questionar as categorias de civilização e barbárie. Através do recurso da história alternativa, examina-se como Binet subverte a centralidade do cristianismo para abrir caminho a uma reconfiguração das relações entre religião, poder e cultura. O estudo parte do reconhecimento da religião como uma estrutura simbólica e política que legitima hierarquias sociais, seguindo as abordagens de Durkheim, Eliade e Mignolo, e a analisa como uma tecnologia de poder capaz de articular e naturalizar formas de dominação.
O artigo argumenta que o romance constrói uma “inversão civilizacional”: o cristianismo, historicamente associado ao progresso e à racionalidade, surge como superstição primitiva. Em contrapartida, as religiões andinas e nórdicas adquirem uma função ordenadora e civilizadora. Essa mudança revela a natureza contingente e política de toda religião. Assim, estabelece-se que nenhuma crença é inerentemente civilizadora ou bárbara, mas sim que seu valor depende do contexto histórico e do discurso que a sustenta.
Nesse contexto, o sincretismo religioso é abordado como um espaço de negociação simbólica. Uma vez que divindades americanas e europeias coexistem, elas são reinterpretadas, revelando uma visão pluralista do poder espiritual. Em suma, a obra demonstra que Civilizações não apenas reescreve a narrativa histórica, mas, ao contrário, desmantela os mitos fundacionais do Ocidente ao expor sua construção ideológica.
Referências
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